Entrevista com Maestro Carlos Alexandre (AM)

Postado em: 1 de dezembro de 2016 | Sem avaliação

Download PDF

O paraibano com ampla vivência na música que superou as adversidades e virou a mesa da vida. A entrevista com o Maestro Carlos Alexandre inspira qualquer pessoa que se volta para a música, e que a questiona como fonte de vitórias. A música é muito mais do que apenas um trabalho. Ela é lazer, ela é paixão.

 

Sob cada dizer, o Maestro Carlos Alexandre, nascido no interior do estado da Paraíba, criado pela guerreira mãe ao lado de 11 irmãos, despejou uma história rica e inspiradora que culmina na realização de um sonho com a Orquestra Sinfônica do Amazonas. A primeira de um estado que clama por música.

 

A conversa com o Portal revelou o homem íntegro, viajado e com sede por música, especialmente por sua querida tuba que já carrega há décadas.

A conversa entre o Maestro Carlos Alexandre e o Portal Brasil Sonoro

 

MAESTRO, VOCÊ JÁ ANDOU POR DIVERSOS ESTADOS DO BRASIL (PARAÍBA, GOIÁS, AMAZONAS). A PARTIR DISSO, COMO VOCÊ VÊ A EVOLUÇÃO DAS BANDAS MUSICAIS BRASILEIRAS ATUALMENTE?

A minha posição em relação ao que eu vejo é que há uma persistência do músico em desejar que isso cresça; a classe deseja muito. A cultura musical de bandas de música tem muito a se fortalecer, mas percebemos esse processo. Eu percebo pelo Portal (Brasil Sonoro) que vocês são uma referência, e fazem esse trabalho. Não há incentivo da grande mídia, num geral, para a propagação das bandas de música no Brasil, infelizmente. Muito pelo poder público que pouco acredita nesse investimento.

VOCÊ ACHA QUE ESSA FALTA DE INVESTIMENTO E INCENTIVO DO PODER PÚBLICO SE REFLETE NO PÚBLICO GERAL? O BRASILEIRO GOSTA DE MÚSICA?

O brasileiro ainda não tem essa cultura de ir para praças públicas aplaudir seus músicos, em muitas das vezes – isso é o que eu vejo. Muitas vezes os governantes não dão esse investimento porque não há a cultura musical. Isso vem de berço, mas no Brasil ainda não possuímos essa cultura. Mas está mudando. Mudando muito! O músico é insistente.

MAESTRO, VOCÊ ENXERGA NESSA NOVA GERAÇÃO A MÚSICA INSERIDA PARA JOVENS COMO UM MECANISMO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL?

Sem dúvidas! A música tem esse poder de transformar as pessoas. Através da música podemos transformar cidadãos. Sempre vou me incluir neste ponto. Eu vim de um bairro pobre, sendo criado apenas pela minha mãe, tendo onze irmãos e saí de casa muito jovem. Desde os 13 anos eu carrego uma tuba nas costas. Busquei a ascensão, e a música me deu essa oportunidade. Já falamos de 23 anos desde que me foi apresentada a música, e eu consegui, através dela, dar a volta por cima. Então, sim, a música possui muito este poder. Sou a prova viva disso.

AGORA FALANDO UM POUCO DE SEU FUTURO, MAESTRO. O PORTAL GOSTARIA DE SABER UM POUCO DESTE PROJETO JUNTO AO MAESTRO MARCELO VIEIRA EM MANAUS, SE POSSÍVEL.

Vai ser algo fantástico no Amazonas. Revolucionário, por assim dizer, né? (risos). Porque hoje nós somos 66 componentes, e é algo que está chegando de forma grandiosa. A mídia local está abraçando muito. O Maestro Marcelo Vieira é o cabeça do projeto, ele está bem por dentro de tudo. Mas o que posso te adiantar é que há algo extraordinário está por vir.

POR FIM, MAESTRO, COMO VOCÊ VÊ O TRABALHO COMO MÚSICO NO BRASIL? É UMA CARREIRA PROMISSORA?

É bastante complicado. Eu tenho meu empreendimento fora do campo musical, mas eu, nos últimos dois anos, vivo exclusivamente da música. O cara precisa ser dedicado e artista. Eu sou multifuncional, modéstia a parte. O músico precisa sempre disso. Eu toco tuba, como também toco flauta em casamentos. Precisamos estar sempre buscando e nos desdobrando. O cenário musical é complexo, pois é preciso que o músico se destaque com pouco apoio.

Classificação

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *