Entrevista – Maestro Didi Barros (CE)

Postado em: 13 de Fevereiro de 2017 | Sem avaliação

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Filho do saudoso Maestro José Ferreira Barros, o famoso Zé Pretinho, Didi Barros tem uma trajetória na música que começa a ser contada desde o berço. De raciocínio rápido, memória apurada e opiniões certeiras, o Maestro nascido no interior do Ceará hoje se diz um homem ainda apaixonado pela música, como se ainda fosse um garoto em seus primeiros dias de bons ouvidos.

 

A paixão pela música é carregada no sangue. Herdando do pai o posto de Maestro da Banda de Música de Quixadá, manteve a memória e o talento paterno ainda vigentes na Banda musical da cidade.

 

Tendo inúmeros atributos, qualidades e grande força de vontade, conversamos com Maestro Didi Barros para saber um pouco sobre sua atual visão da música no Brasil. Confira!

 

A entrevista com o saudoso Didi Barros, maestro da Banda de Música de Quixadá

 

PBrS: MAESTRO DIDI, COMO VOCÊ VÊ A EVOLUÇÃO DAS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL AO LONGO DESTES ANOS?

 

Maestro: Eu acompanho a situação do Brasil com relação a bandas constantemente, porque minha vida, e a vida de minha família, foi trabalhar com bandas. Falando num geral, o que vejo de bacana é que há uma necessidade de que a Banda de Música se transforme, também, em Escola Musical. Mas há uma dificuldade muito grande em conseguir arrecadação com os gestores, a verba é baixa, mas, sobretudo, os gestores estão voltados para outras prioridades, excluindo um pouco a cultura.

PBrS: ATRAVÉS DESTAS ESCOLAS, VOCÊ CONSEGUE VÊ-LAS COMO UMA FONTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL?

 

Maestro: Com certeza! A música transforma. Aqui, eu consigo ver meninos e meninas das periferias sofrendo esta mudança. A Banda de Música, por si só, já transforma. O que eu saliento era trazer as Escolas com Banda, e não Bandas com Escolas, entende? Tentar trazer jovens para apresentar a música e usá-la como uma forma de tirar meninos desocupados para dentro de um ambiente amistoso.

PBrS: HÁ UMA PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO, NUM GERAL, PARA A CONSTITUIÇÃO DESTE PROJETO?

 

Maestro: Aqui em Quixadá, nós conseguimos fazer de dez a quinze apresentações ao mês. Ela toca em todo e qualquer evento. Aqui ela é ativa, faz parte do quadro da vida do quixadaense. Ela é muito forte e participativa no cotidiano. Aqui em Quixadá, ao menos, a participação é sempre certa e ativa quando à toda e qualquer medida.

PBrS: SABENDO DO SENHOR, COMO UM ESPECIALISTA E VIVENTE EM MÚSICA, É POSSÍVEL VIVER DE MÚSICA NO BRASIL?

 

Maestro: Acredito sim. É possível! Varia do caminho a se trilhar, porque muitos deles são difíceis. A cultura musical no Brasil é um pouco banalizada e escanteada, em muitas vezes. Um exemplo é essa Lei Rouanet, que acabou dando todo esse problema e tanta controvérsia. Era um projeto que era pra ajudar músicos e a impulsionar a cultura, mas o povo usou e usa de outra forma. Então, isso leva para a decadência, onde esse projeto seria algo muito forte para pessoas sem condições, mas ele foi desviado para pessoas que já tinham condições.

PBrS: MAESTRO, PARA FINALIZARMOS, O PORTAL GOSTARIA DE SABER A SUA OPINIÃO SOBRE A CRISE MUSICAL ATUALMENTE VIVIDA NO BRASIL. COMO VOCÊ VÊ ESSA SITUAÇÃO?

 

Maestro: Bom, o que eu vejo é o seguinte: a Banda de Música é uma das artes primordial, como a música num geral, claro. Quanto a esta questão da valorização da música, em outros tempos nós tínhamos os festivais. Estes festivais instigavam as pessoas a fazer música boa. As pessoas se preocupavam com a harmonia, a melodia, a qualidade e tudo, num geral. As músicas que se fazem hoje não marcam mais. Há o boom, mas não há a herança. Uma coisa acaba por refletir outra.

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Uma resposta para “Entrevista – Maestro Didi Barros (CE)”

  1. A Banda de música de Quixadá é um Patrimônio Cultural e vivo,onde acolhe várias crianças e adolescentes,tem uma escola de Música ativa,sou mãe de um aluno pré bolsista,que logo irá fazer parte do quadro da Banda de Música,e gostaria de Agradecer aq a oportunidade que o atual Maestro Dudu Black, está dando há várias crianças e adolescentes a oportunidade de um dia poder entrar na Banda Municipal de Quixadá….E agradecer ao Maestro Didi Barros hoje já aposentado por ter feito parte da Banda de Música.

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