Entrevista – Maestro Gerry Andrade (BA)

Postado em: 20 de Fevereiro de 2017 | Sem avaliação

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Residente em Irecê, mas filho de Ibipeba. O saudoso Maestro Gerry de Andrade caminha a passos largos entre uma vida de labuta, luta e notas. Isso porque o ex-empresário do ramo da panificação, divide seu amor e afeto entre a música, o trabalho duro e, sobretudo, a família.

 

O ano era 1999, quando Gerry amassava a mistura da próxima fornada, quando um filarmônica passou pela rua. A reação foi uma só: largar o pão e se apaixonar pelo som. Deste encontro, saiu a paixão. Após presenciar a música em essência, o padeiro virou músico, se aperfeiçoou, integrou a Filarmônica 19 de setembro, da cidade de Ibipeba. Lá dormiu músico, acordou maestro.

 

A qualificação foi o jeito. Por meio de inúmeros cursos, o Maestro buscou se aperfeiçoar e se tornar o grande músico respeitado que é hoje. Confira a conversa que o Portal Brasil Sonoro teve com ele.

 

PBrS: COMO VOCÊ VÊ A EVOLUÇÃO DAS BANDAS DE MÚSICA NO PAÍS APÓS QUASE DUAS DÉCADAS RESPIRANDO DIARIAMENTE ESTE NICHO?

 

Maestro: Vejo com preocupação. Apesar de estarmos no século XXI, enfrentamos os mesmos problemas de séculos atrás. A falta de apoio é secular, e como evoluir com os instrumentos quebrados, amarrados de cordão? Com raras exceções, é claro. Apesar de todas as dificuldades inerentes à nossa categoria, vejo uma evolução importante: hoje, com o advento da internet, as pequenas bandas, das longínquas e pequenas cidades, têm acesso a importantes composições e arranjos de outras regiões, que antes ficavam mofando nos arquivos das instituições. Faço aqui um apelo: publiquem! Não deixem as belas peças morrerem no silêncio da ingratidão dos baús. Precisamos de mais composições e arranjos para nossa linguagem. O Portal faz esse importante papel de multiplicar e proporciona que as bandas tenham acesso a essas peças.

 

PBrS: VOCÊ VÊ O BRASILEIRO DESEJANDO QUE A MÚSICA SIGA PARTICIPANDO DO MEIO COTIDIANO?

 

Maestro: Acredito que sim. Todos ficamos felizes com a aprovação da Lei 11769, foi sem dúvida uma grande conquista para a área de educação musical no País. Entretanto, há também grandes desafios para atender as exigências da referida lei que precisam ser enfrentados para que possamos, de fato, ter propostas consistentes de ensino de música nas escolas de educação básica.

 

PBrS: QUAL SUA VISÃO E POSICIONAMENTO EM RELAÇÃO AOS CONSTANTES ENCERRAMENTOS DE ATIVIDADES DE BANDAS DE MÚSICA PELO BRASIL?

 

Maestro: Em particular, vivencio essas dificuldades no dia a dia. É desmotivador e confesso que já pensei até em colocar a música em um plano B, já que muitos dos nossos políticos usam as bandas para praticar politicagem, principalmente nos municípios pequenos, caso o presidente ou maestro não votar no prefeito, ele vai persegui a banda por toda sua gestão. É o que está acontecendo exatamente neste momento, já que estou passando por isso. A nova gestão exige minha saída, somado a isso convivemos com a falta de apoio dos governos estadual e federal.

 

PBrS: PARA FINALIZARMOS, MAESTRO, VOCÊ ACHA QUE É POSSÍVEL VIVER DE MÚSICA NUM PAÍS COMO O BRASIL?

 

Maestro: Para ser bem sincero? Vivo exclusivamente de música desde 2008. Nesta guerra estou me sentido perdedor. Hoje, estou pensando em voltar ao ramo empresarial.

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Uma resposta para “Entrevista – Maestro Gerry Andrade (BA)”

  1. Evandro Alves disse:

    Parabéns Maestro. Não saia da música!!!

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