Entrevista – Maestro Gilmar Cavalcante (PE/EUA)

Postado em: 2 de janeiro de 2017 | 5/5 (1)

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Santa Cruz do Capibaribe é a cidade que proveu Gilmar Cavalcante para o mundo. Moldado no interior de Pernambuco, Gilmar saiu da pequena cidade para ganhar o mundo através da música. Mas foi na cidade vizinha, de Barra do São Miguel, que o músico começou a olhar para música com um ar mais profissional, sem deixar a paixão um minuto sequer de lado.

 

A Filarmônica São Miguel foi sua primeira passagem, e em seguida participando e tocando sob inúmeros grupos musicais do Nordeste. Descobriu a aptidão, apontou para o que amava e seguiu rumo aos seus sonhos. E foi, em 2009, que ingressou como Bacharel em música, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mas não parou por aí, conquistando também o título de especialista em Educação Musical pela Cândido Mendes, no RJ.

 

Mas foi nos Estados Unidos que Gilmar decidiu decolar. Com o Mestrado em performance do trompete, pela Valdosa State University, e o andamento ao Doutorado pela Ball State University.

 

A conversa entre Gilmar Cavalcante e o Portal Brasil Sonoro

 

PBrS: COMO SE DEU INÍCIO ESSA IDEIA DE RUMAR PARA O ESTRANGEIRO PARA ESTUDAR MÚSICA?

 

GC:  Durante a graduação, ainda, surgiram tópicos de pesquisa com fontes em inglês. A partir daí, comecei a estudar o inglês. O filho de uma professora já estava residindo aqui (nos EUA) e ela começou a me encorajar a vir também. Isso foi no meu segundo ano. Já no terceiro para o quarto ano já comecei a dar início ao contato com professores de fora. Surgiram propostas para mestrado em diversos estados. Contatei três Universidades, passei nas três, e selecionei a que mais me agradava segundo o programa.

 

PBrS: QUAIS AS DIFERENÇAS QUE VOCÊ PERCEBE ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS NO ÂMBITO MUSICAL?

 

GC: Isso é um resumo do resumo, claro. Mas o processo para ingressar aqui é bastante cansativo. Os padrões são diferentes, as conduções diferentes e toda a burocracia, em si, é demasiadamente cansativa. Mas o que eu vejo de mais diferente é que nos Estados Unidos os programas nacionais de música são levados mais a sério. Em todas as escolas existentes há música em todas as escolas, seja o âmbito que houver. No Brasil temos as condições, a lei foi aprovada, basta a prática ser colocada.

 

PBrS: AS NOTÍCIAS SOBRE OS FECHAMENTOS DE BANDAS NO BRASIL CHEGAM COM FACILIDADE PARA COMUNIDADE MUSICAL INTERNACIONAL?

 

GC: Quanto à crise musical que o Brasil está passando, tudo chega de forma muito rápida até aqui. Da mesma forma que eles têm suas crises – claro que de uma forma diferente –, mas há uma grande preocupação tanto dos residentes de outros países e dos próprios músicos americanos quanto ao fechamento das Bandas Brasileiras. Há esse intercâmbio de informação e de solidariedade.

 

PBrS: ABRANGENDO MAIS O INTERCÂMBIO, COMO É ESSA TROCA DE EXPERIÊNCIA ENTRE OS MÚSICOS DE OUTROS PAÍSES?

 

GC: É muito interessante esse ponto. Há uma troca de ideias bastante interessante, porque há coisas que os músicos brasileiros não sabem e coisas que os músicos americanos não sabem. Ou seja, há essa troca de informação e instrução constante. Por exemplo, tocar música brasileira e tocar jazz, por exemplo. É uma experiência de troca bastante interessante. Já no ponto de vista técnico, de certa forma, pode haver uma barreira no idioma devido a alguns termos não possuírem tradução, mas isso raramente é um empecilho para a troca de experiências.

 

PBrS: QUAL DICA O GILMAR CAVALCANTE DEIXARIA PARA QUEM DESEJA ESTUDAR MÚSICA FORA?

 

GC: Bom, minha mensagem seria para não desistir. Deseja e almeja os sonhos. Se surgir a oportunidade de estudar fora, não deixe que ela escape. Embora exista um valor financeiro atrelado a isso, é uma experiência incrível. Não necessariamente é o país, a escola ou o professor que farão da pessoa um bom ou mau músico, mas sim depende da dedicação e empenho de cada um para conquistar cada passo na caminhada musical.

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2 respostas para “Entrevista – Maestro Gilmar Cavalcante (PE/EUA)”

  1. Elias B Do Brasil disse:

    Muito boa intrevista,pois nos mostra o quanto sormos capazes de ir além do esperado.Basta apenas acreditar nos nossos sonhos e o mais importante Estudar,Porque sem o estudo de forma em geral,não chegarmos a lugar nenhum.
    Fica o meu abraço e uma boa sorte nessa nova etapa da sua vida,meu grande Amigo Gilmar Cavalcante.
    PS:Elias B Do Brasil

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