Entrevista – Maestrina Weiller Lucena/PA

Postado em: 13 de Janeiro de 2017 | Sem avaliação

Download PDF

Mãe, esposa e maestrina. A musicista, Weiller Lucena, já vive mais de três décadas respirando música, inspirando jovens e formando mentes. Hoje professora de artes, ela jamais deixa a música, sua grande paixão, adormecer. Ouvido e talento sempre ditaram a vocação para as artes. Voltada sempre para o amor pela simplicidade, viu na música uma forma de evoluir, tanto pessoalmente, como ascender profissionalmente.

 

Desde 2002 no CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica), viu, inclusive, a mudança para o atual nome, IFPA (Instituto Federal do Pará). Em meio à regência de bandas, a antiga regente de corais evoluiu, aprendeu e hoje colhe os frutos de ser uma das grandes representantes do mundo musical do cenário paraense.

A conversa entre o Portal Brasil Sonoro e a Maestrina Weiller Lucena

PBrS: VOCÊ NOTOU PERCALÇOS PARA CRESCER NA MÚSICA POR SER MULHER? HÁ MACHISMO NO MUNDO DA MÚSICA?

 

Maestrina: Olha, passar em um concurso onde o edital dizia “Professor de Artes, com experiência na área de regência de bandas e coral”– eu só era regente na área de coral, foi um desafio muito grande. Fui ousada, decidi enfrentar e fazer pois era a única mulher dentre 18 candidatos há aproximadamente 13 anos. O grau de dificuldade da regência de banda está num campo mais extenso, em comparado ao de corais por conta de suas peculiaridades. Encontrei machismo, sim, acredito que devido uma cutura proveniente do carater militarista que as bandas ainda tem e por possuir, na sua grande maioria, homens em suas lideranças. Confesso que já cheguei a ouvir críticas por ser mulher e uma frase que guardo até hoje foi: “A Weiller não tem condições de assumir uma banda de música, porque ela é mulher, banda e coisa pra homem!”Mas isso ficou pra trás (risos). Hoje são outros tempos, onde temos mulheres competentíssimas a frente de bandas de música. No meu Estado fui a primeira e eu fico muito feliz, por exemplo, quando umas delas que foi minha aluna de regência de bandas, me agradeceu por ter desbravado este campo que hoje já não faz mais distinção de gênero, apenas de competência.

PBrS: DESDE 1986 VIVENDO E RESPIRANDO MÚSICA, COMO TU VÊ A EVOLUÇÃO DAS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL?

 

Maestrina: Hoje, com o avanço tecnológico, e essa comunicação full time existente, isso eu acreditei, no começo, que isso iria agregar. No entanto, eu observo que a tecnologia freou um pouco a juventude na atenção à prática musical. Porque quando eu estudei em 1986, nós tínhamos apenas os locais de ensaio, já hoje é possível aprender qualquer instrumento na web, por meio de vídeos. Mas vejo isso pouco ainda, esse interesse e vontade; gana por aprender.

PBrS: A MÚSICA É UMA FONTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL, NA SUA VISÃO?

 

Maestrina: Eu sempre vi, e vou sempre ver. Fez diferença na minha vida, como também fez diferença na vida de muitos alunos meus, e de inúmeros outros maestros. E ainda é, sim, um diferencial, ainda tem um poder de transformação, e a música ainda é um bálsamo que preenche. Quando falo para meus alunos, nas primeiras aulas de artes – e eles acham que não precisa de arte para viver –, eu digo e enfatizo: “Por favor, retirem os fones de ouvido das suas mochilas”, e quase todos retiram e ficam sem palavras após uma primeira reação preconceituosa à arte.

PBrS: PARA FINALIZAR, GOSTARÍAMOS DE SABER SE VOCÊ ACHA QUE O BRASILEIRO É UM POVO APAIXONADO PELA MÚSICA?

 

Maestrina: Eu sou muito crítica ao gosto musical brasileiro (risos). Te digo o motivo, se formos falar de encantamento, a música transforma, a música atinge e a música mexe com cada um de nós. O referencial musical que é posto para uma maioria esmagadora recebe músicas pobres vendidas pela mídia, infelizmente. Não se passa o encanto, não se divulga esse encanto.

Classificação

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

2 respostas para “Entrevista – Maestrina Weiller Lucena/PA”

  1. Lauro Gomes Pessoa disse:

    Sou o pai da maestrina Weiller Adriana. Não realizei meu sonho de ter esposa que, ao piano, tocasse músicas,em minha sala de visitas, por ocasião de receber visitas.
    Entretanto, meu desejo foi ouvido pelo Altíssimo e me concedeu minha filha Weiller que me faz muito feliz e orgulhoso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *