A instrumentação de Banda de Música

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Como exposto em “como fazer uma adaptação“, o primeiro passo para a realização de uma boa adaptação, assim como de um arranjo e uma composição, se tratam de um estudo sobre a instrumentação do grupo. Esse estudo deve focar na técnica instrumental, nível de dificuldade e as combinações instrumentais. Cada um desses itens possui vários materiais explicativos próprios que demandam algum aprofundamento. Assim, neste texto, para uma sobrevoo inicial, trataremos sobre instrumentação, com foco na Banda de Música. Como referência inicial, recomendo uma leitura do livro do Samuel Adler: The Study of Orchestration1.

A instrumentação e organização da partitura

A instrumentação e a disposição dos instrumentos gera algum debate aqui no Brasil, principalmente no meio de bandas de música interioranas. Nelas, adaptadores, arranjadores e compositores escrevem para os instrumentos disponíveis. A partitura é organizada conforme os autores achem mais conveniente. Essa adequação local é tanta (em alguns casos) que algumas músicas têm instrumentação e transposições instrumentais próprias. Para esse caso, hipoteticamente, se um maestro que não teve contato com o autor for estudar a música, este poderá encontrar sérias dificuldades para entendê-la.

A partitura é um documento. Mais do que isso, é um manual de como tocar uma música. Nela devem estar conditas as informações importantes para a execução. Além disso, se o autor imagina que sua peça venha a ser tocada fora de seu reduto (cidade, estado, país), este terá que tornar a partitura possível de ser entendida em qualquer lugar. Para tanto existem alguns padrões na organização e instrumentação de uma partitura de Banda.

Ao observar editoras internacionais (EUA e Europa), como as listadas na Music Shop Europe, poderemos ver padrões recorrentes. A instrumentação pode variar, na quantidade de vozes, e outros instrumentos podem ser adicionados ou excluídos. Na figura a seguir, vemos o padrão mais comum.

As edições da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE) adotam esse padrão (com algumas poucas variações). Em um material denominado Pequeno guia prático para o regente de banda2, o professor Marcelo Jardim discorre sobre o padrão adotado nas edições da FUNARTE. Ele escreve que

Estes lançamentos foram adequados às normas internacionais de edição e padronização para a banda sinfônica, diversificando a oferta de partes instrumentais (…) além de permitir que as pequenas formações (…) executem o mesmo material (…) a escrita considera alguns instrumentos como opcionais

A primeira vista, pode ser considerado desnecessário a exibição de alguns instrumentos na partitura completa (grade). Contudo é sempre importante ter em mente que grupos maiores podem executar a música e o regente precisa visualizar e acompanhar as diversas linhas melódicas da obra. Outros instrumentos mais exóticos (ou com transposições diferenciadas) podem (e devem) ser adicionados como partes extras. Exemplo: Clarinete Alto Eb; Saxofone Soprano Bb; Sax-Horn Eb; Eufônio Bb (em Clave de Fá ou de Sol); e Tuba Bb, Eb e F. Como eles sempre copiam (em parte, ou na totalidade) outros instrumentos já contidos na grade, não há prejuízo ao entendimento do regente eles não estarem listados.

Instrumentos como Trompas, Eufônio (Bombardino), Tuba, podem ter suas transposições trocadas por outras na grade. Exemplo: Trompas F trocadas por Eb; Eufônio (som real) trocado por Bb em Clave de Fá ou de Sol; Tuba (som real) trocada por Bb, e outras. É totalmente desnecessário colocar duas (ou mais) transposições na grade do mesmo instrumento que faz exatamente a mesma linha melódica.

Com essa instrumentação, quaisquer grupos denominados Banda Sinfônica (Concert Band) ou Banda de Música (Wind Band) podem tocar a obra que segue nesse padrão. O importante é que para que tanto um grupo maior quanto um menor possam ler a mesma partitura, os dobramentos devem ser realizados a partir do grupo menor. Assim, caso haja a ausência de determinados instrumentos, o entendimento da música ainda será preservado.

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  1. ADLER, Samuel. The study of orchestration: musical examples. WW Norton, 1982.
  2. JARDIM, Marcelo. (Org.). Pequeno guia prático para o regente de banda. Vol I. Rio de Janeiro: Funarte, 2008. Disponível em: http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2015/08/Guia-para-o-Regente-de-Banda.pdf. Acesso em 10 de Julho 2019.

8 COMENTÁRIOS

  1. gostei do artigo, um bom trabalho para quem quer iniciar nos estudos de composição, arranjos adaptação, orquestração e até mesmo transcrições . parabéns ao autor e ao projeto brasil sonoro pela iniciativa ..

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